Entenda a série Cloverfield

Entenda a série Cloverfield

Cloverfield é uma franquia de filmes de ficção científica, que se apoia no suspense e terror para desenvolver suas narrativas. O primeiro filme que eu assisti foi o The Cloverfield Paradox, de 2018. Ele é o terceiro filme da franquia. Antes dele vieram, Cloverfield: O Monstro e Rua Cloverfield, 10. Para entender melhor essa série, antes precisamos dar aquele aviso básico.

SPOILER ALERT!

Continue apenas se já assistiu aos filmes.

Cloverfield, O Monstro

cloverfield - o monstro

Vamos começar por Cloverfield, O Monstro. O filme começa com uma festa num terraço, sob o ponto de vista de uma câmera amadora. O longa se apoia no sucesso da técnica usada em Bruxa de Blair (1999), onde os protagonistas seguram câmeras amadoras e o filme é uma montagem das imagens gravadas pelos atores. Apesar de não reinventar a roda, eles a usaram muito bem.

Em Cloverfield, O Monstro um grupo de amigos festeja a despedida de Rob (Michael Stahl-David), que irá morar no Japão. Há um início de trama amorosa sendo desenvolvida entre Rob e Beth (Odette Annable). Quando começamos a nos aprofundar nos personagens, uma série de explosões começa a acontecer em Nova Iorque.

Aqui já podemos estabelecer um ponto em comum entre todos os filmes. As histórias sempre viram para algo absolutamente inesperado. Neste filme e no Cloverfield Paradox, isso acontece no primeiro ato. Em Rua Cloverfield, 10, essa virada vem um pouco depois já perto da metade do longa.

As pessoas resolvem sair do terraço e aos poucos vão percebendo o caos que foi instaurado na cidade. Mais adiante eles descobrem que um monstro gigantesco está destruindo Manhattan. A partir daí, o filme passa ser uma história de fuga, resgate e separação.

Rua Cloverfield, 10

Rua Cloverfield, 10 começa também com uma trama amorosa. Aliás, isso está presente nos três filmes. Todos os protagonistas estão emocionalmente envolvidos com ex-namorada (Cloverfield, O Monstro), noivo (Rua Cloverfield, 10) ou a família (Cloverfield Paradox).

Michelle (Mary Winstead) resolve deixar sua casa após uma briga com seu noivo, Ben. Ao dirigir pela estrada, Michelle recebe algumas ligações dele, mas resolve não atender. Enquanto ela titubeia ao volante, um outro veículo bate no seu e provoca um acidente. O carro dela capota e Michelle desmaia.

Ao acordar, a garota está numa espécie de cativeiro com a perna direita algemada à parede. Mais adiante, Michelle descobre que trata-se de um abrigo nuclear construído por um sujeito viciado em teorias da conspiração. Trata-se de Howard (John Goodman). Eles convivem algum tempo nesse cativeiro sem poder sair, pois Howard insiste que o ar do lado de fora está contaminado. Em alguns momentos, Michelle pensa ter sido sequestrada. Quando finalmente consegue sair, percebe que o problema é bem maior do que ela imaginava.

Nenhum dos personagens tem relação com o filme anterior e isso é outro ponto em comum na série. Lá pela segunda metade do filme é que vemos os monstros novamente.

Cloverfield Paradox

Cloverfield Paradox é o longa que explica todas essas situações bizarras dos filmes anteriores. Um grupo de cientistas está a bordo de uma estação espacial chamada Shepard. Ela carrega um acelerador de partículas imenso, que promete gerar energia infinita para abastecer a Terra. A propósito, o planeta vive grandes tensões geopolíticas relacionadas às questões energéticas.

O grupo passa dois anos tentando ativar o acelerador. Quando finalmente conseguem, são transportados para outra dimensão e coisas muito estranhas, e algumas vezes bastante caricatas, começam a acontecer. Essa brecha entre as dimensões explica a origem dos monstros e dos ataques que aconteceram nos filmes anteriores.

A narrativa se apoia na história da personagem Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), que vive uma relação delicada com o marido após ambos terem perdido os dois filhos num acidente que ela provocou. Sem desenvolver melhor nenhum dos personagens, é difícil nos envolvermos emocionalmente com a história dela e a mensagem final fica com um ar de caricatura também.

Ao usar três longas diferentes para narrar histórias com elementos em comum, Cloverfield demonstra possuir um universo narrativo interessante e aberto a inúmeras possibilidades. Contudo, seria bem legal se os filmes tivessem um embasamento científico maior, deixando as histórias mais realistas do ponto de vista da física, por exemplo, já que se trata de uma ficção científica.

Interstellar (2014) foi um longa que soube trabalhar muito bem o embasamento científico, usando uma licença poética para o momento final ao amarrar toda a narrativa da trama. A série Cloverfield é o oposto. Ela está mais para uma espécie de coleção de licenças poéticas. É uma obra que se apoia no inusitado, sem compromisso mais sério com fatos científicos de um modo geral. Apesar disso, é um bom entretenimento para os fãs do gênero.

Atuo como roteirista e produtor executivo de TV há 12 anos. Passagens por BAND, SBT e produtoras independentes no departamento de roteiro e desenvolvimento de projetos com trabalhos exibidos no Multishow, Canal Sony, SBT e Disney Channel. Auxilio produtores a formatarem seus projetos e presto consultorias para inscrição e acompanhamento de projetos em leis de incentivo.

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