Como escrever projeto para TV?

Como escrever projeto para TV?

Atualmente, essa pergunta habita os pensamentos de muitos roteiristas que pretendem escrever projeto para TV, especialmente com as novas oportunidades que surgiram após a lei da TV paga. Eu cheguei a falar algo nesse sentido nos posts do evento do Netlab TV, mas esse assunto merece uma atenção maior. Nesta página iremos abordar as principais questões relacionadas ao tema. Se você desejar se aprofundar, convido a ler os outros artigos da série Projeto para TV onde detalhamos ainda mais as etapas da elaboração de projeto. Tá tudo no índice, logo a seguir:

Índice

1. Introdução

Neste tópico apresentamos uma introdução geral ao tema, abordando diversos aspectos da elaboração de um projeto de conteúdo para televisão.

Como nasce um projeto? De onde vêm as ideias? Neste artigo, tratamos com mais detalhes sobre como as ideias de programas são criadas e estruturadas.

2. Criação

3. Produção

A produção de televisão é realizada por equipes grandes e multidisciplinares, Saiba mais sobre as etapas envolvidas na execução de um produto audiovisual: a pré-produção, a produção e a pós-produção.

Quanto custa o meu projeto? Para responder essa pergunta, você precisa saber fazer um orçamento. Entenda como os valores são organizados e baixe gratuitamente um modelo de planilha de orçamento para você usar.

4. Orçamento

5. Modelo

Alguns executivos de TV gostam de dizer que boas ideias são aquelas que “ficam de pé”. Ou seja, são produtos que possuem conceitos sólidos, estão bem estruturados e possuem um planejamento para possibilitar o retorno financeiro. Um modelo de negócios é o que vai deixar seu projeto “de pé”.

Se você quiser se aprofundar mais nesse assunto, conheça os nossos resumos dos principais eventos do mercado de televisão. Seminários, cursos e palestras do Rio Content Market, Telas Fórum, Social Media Week, dentre outros, estão disponíveis aqui.

Eventos

Introdução

Todo roteirista tem seus próprios métodos de trabalho, suas próprias maneiras de utilizar as técnicas de escrita para TV. Por isso, não vou abordar a criação de conteúdo nesse post. Parto do pressuposto de que sua ideia já está estruturada e registrada na Biblioteca Nacional, para poder abordar o que vem depois disso.

A questão do mercado.

Uma das coisas mais importantes para o roteirista tirar sua ideia do papel é exercitar o desapego. Não pense que seu projeto vai chegar na televisão exatamente do jeito que você escreveu. Por mais original que seja, sua ideia precisa estar adaptada às necessidades do mercado. E quem entende disso são os executivos dos canais. No processo de análise do seu projeto, poderão ser solicitadas várias adaptações na obra. Isso é normal.

Não tenha o capricho de rejeitar todas as alterações, pois são elas que tornarão sua obra viável. Portanto, tente se afastar do apego emocional com sua obra. Não tenha medo de defender os pontos fundamentais dela, mas também não tenha medo de fazer as alterações. Ter paixão pelo projeto é fundamental para convencer executivos de TV, mas insistir nisso é como tentar convencer um Corinthiano a torcer pelo Palmeiras. Não faz sentido, entende?

Como tornar seu projeto para TV interessante.

Além da ideia original, o seu projeto precisa ter um orçamento sedutor. Não seja megalomaníaco. Deixe a pirofagia de lado ao escrever sua obra. Tente torná-la algo fácil de ser produzido. Tenha em mente que um roteirista estreante, ou novato, dificilmente emplacará um novo Game of Thrones, por mais que tenha talento e potencial. Portanto, é preciso ter pé no chão e não viajar muito na maionese.

Se você é um autor que não conhece a rotina de produção, tente se aproximar desse ambiente de alguma maneira. Saber como as coisas são construídas na TV é fundamental para que você escreva projetos realistas e interessantes. Dê asas à sua imaginação, mas ponha o pé no chão antes de abordar algum executivo de TV. Eles precisam ter certeza de que sua obra é algo possível de ser produzido.

Tenha um modelo de negócio.

Pense no seu projeto para TV como um ativo, igual ao mercado de ações. Porque alguém compra ações? Para poder receber os dividendos ou fazer lucro com ela mais tarde. O seu projeto precisa se tornar um ativo interessante para a emissora, que precisa vislumbrar o potencial econômico dele. Tente pensar em como sua obra artística pode fazer dinheiro. Elabore um modelo de negócios para cada projeto que você escrever.

Esse tópico é amplo e um pouco complexo, pois existem muitas variáveis aqui. Para o seu projeto ser produzido ele vai precisar de um orçamento detalhado. Um modelo de negócio irá ajudar a viabilizar esse orçamento e a projetar o retorno sobre o investimento. Seja usando parcerias com investidores privados, seja usando leis de incentivo ou com crowdfunding. São várias as possibilidades. O importante é mostrar ao executivo de TV quais são os riscos que ele estará correndo ao comprar a sua obra. Não existem projetos (nem investimentos) sem riscos. Por isso, em geral, eles preferem os que possuem a menor margem de risco possível.

Não critique um executivo de TV por ele não apostar no novo talento ou na inovação. Esse mercado é conservador por natureza, assim como muitos de nós somos. Ou você colocaria boa parte do seu dinheiro da poupança no mercado de ações, sem saber como ele funciona exatamente?

A importância de um plano de negócios.

Plano de negócios e modelo de negócios são coisas diferentes, porém complementares. Se você pretende atuar como uma produtora de criação ou produção de conteúdo para o mercado audiovisual, é importante que sua empresa tenha um plano de negócios. O Sebrae possui um ótimo manual sobre esse assunto.

Enquanto a criação de um modelo de negócios é algo mais rápido de ser feito e baseado principalmente em hipóteses, o plano de negócios é mais demorado e é baseado em dados reais. A criação de um plano de negócios vai ajudar no crescimento da sua empresa, uma vez que ele te obrigará a estudar a concorrência, as oportunidades, os custos de atuação no mercado, dentre muitos outros itens vitais. Durante o processo de escritura do seu plano de negócios, você poderá observar melhor o mercado e o seu posicionamento dentro dele.

No âmbito dos projetos, o plano de negócios vai proporcionar uma análise profunda do mercado e das necessidades de produção de sua obra. Ele pode ser um grande diferencial na hora de vender o seu projeto. Tanto o modelo de negócios, quanto o plano de negócios se caracterizam pelo caráter técnico. Pra quem está acostumado a trabalhar com arte, esses tópicos podem ser especialmente difíceis. Contudo, se você quiser ser produtor independente, é melhor estudá-los.

Sobre as leis de incentivo.

Para estimular o crescimento da produção audiovisual independente no Brasil, as três esferas do governo instituíram leis de incentivo para esse mercado. Existem leis municipais, estaduais e federais. A maioria delas funciona com base no conceito de renúncia fiscal. A ideia é simples. Empresas ou pessoas físicas podem destinar para a produção audiovisual uma parcela do que pagariam de imposto. Desse modo, o governo investe indiretamente no mercado, ao abrir mão de uma parcela dos impostos devidos pelos contribuintes.

A Ancine é uma agência federal dedicada à regulação e ao fomento do mercado audiovisual. Para poder enquadrar seus projetos em algumas das leis que vou mencionar aqui, sua produtora precisará estar cadastrada na Ancine. Boa parte dos trâmites pelos quais os projetos incentivados passam se dão dentro dessa agência. Clique nos links abaixo para fazer o download dos textos em PDF.

  • Lei nº 8313 (Rouanet): Renúncia fiscal com base no Imposto de Renda. É dedicada a preservação da produção e do patrimônio cultural brasileiro. O cinema de longa e curta metragem está contemplado nessa lei.
  • Lei nº 8685 (Audiovisual): Renúncia fiscal com base no Imposto de Renda e em impostos específicos da atividade audiovisual. Essa lei contempla projetos de cinema e TV. Há um mecanismo para captação de dinheiro pela venda de cotas de investimento no mercado de capitais.
  • Lei nº 12.485 (Lei da TV Paga): Essa lei instituiu cotas de tela para a produção independente brasileira nos canais de TV por assinatura.
  • Lei nº 12.268 (ProAC do Governo do Estado de SP): Renúncia Fiscal com base no ICMS. Também atua com fomento via publicação de editais.

Editais e Programas.

Um outro mecanismo importante de incentivo é realizado por meio de editais ou programas de investimento. Uma verba é destinada para o fomento de áreas ou projetos específicos da produção independente e um edital é publicado para definir as regras de participação e seleção dos contemplados. Os editais costumam ter prazos menores e critérios de seleção baseado em concurso, enquanto que os programas possuem linhas de investimento fixas e a aprovação dos projetos pode se dar de modo automático.

Para se ter uma ideia, no ano de 2013 a prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Fomento ao Cinema, realizou um edital específico para o desenvolvimento de projetos audiovisuais para cinema e TV. Haviam três linhas de investimento dedicadas ao desenvolvimento da ideia em si, contemplando inclusive projetos transmídia e de games. O investimento no desenvolvimento de projetos é algo relativamente novo, estimulado pela participação ativa de alguns membros da Associação dos Roteiristas nos debates dessa área.

  • Regulamento geral do PRODAV: Trata-se do regulamento do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro. Esse programa utiliza recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). O regulamento é um pouco extenso, mas vale a leitura. O FSA foi muito criticado pela produção independente por conta da demora na aprovação dos recursos. Característica que a Ancine prometeu mudar.

Se você conhece alguma legislação de incentivo que não foi abordada nesse post, por favor, deixe uma indicação nos comentários.

Arrume bons parceiros.

Bons parceiros ajudam a diminuir a margem de risco do seu projeto para TV. É difícil confiar que uma produtora pequena, que está no mercado há pouco tempo, seja capaz de produzir uma temporada completa de uma série de ficção científica, por exemplo. Tente procurar produtoras que já tenham algumas obras produzidas em seu portfólio. Isso dá uma segurança ao exibidor de que a obra será produzida e entregue. Se você conseguir uma parceria com uma produtora que já trabalha com o canal, melhor ainda.

Atire no lugar certo.

Adianta alguma coisa mandar um projeto de reality show musical para o History Channel? Ou um documentário sobre a vida dos maquinistas ferroviários para a ESPN? Programa de culinária para a Discovery? Antes de sair abordando o mercado, saiba exatamente onde você irá atirar. Entenda como o seu projeto irá se encaixar na grade de programação da emissora. Faça uma pesquisa de quais emissoras são compatíveis com seu projeto, pesquise a grade delas e adapte sua ideia para cada canal que você resolver abordar. Lembra do desapego?

Faça uma apresentação objetiva.

Ao mandar seu projeto para algum executivo de TV, seja o mais objetivo possível. Aborde somente os pontos fundamentais e mostre a ele que você conhece o perfil do canal e da grade de programação dele. Algumas emissoras possuem modelos próprios de projeto, com os pontos que são fundamentais para eles. Veja na lista abaixo:

.

SONY

Possui três canais: Sony, Spin e AXN. Pontos fundamentais na primeira apresentação:

  • Título;
  • Formato do projeto;
  • Número e duração dos episódios;
  • Canal a que se destina;
  • Orçamento total e por episódio;
  • Sinopse;
  • Produtora.

Pontos avaliados após o projeto ser aprovado pela Sony:

  • Piloto;
  • Negociação com a matriz;
  • Adequação ao perfil do canal;
  • Alinhamento com o público;
  • Execução.

 

.

A&E Ole Networks

Possui os canais A&E, History Channel e Biographic Channel. Pontos fundamentais:

  • Descritivo da ideia;
  • Sinopse do programa;
  • Cronograma de produção;
  • Orçamento;
  • Apresentação da Produtora;
  • Apresentação da equipe principal;
  • Teaser.

 

.

Turner

A Turner possui canais como TCM, Space, TNT e Cartoon Network. Eles desenvolveram um site específico para o recebimento de projetos.

 

.

Globosat

A Globosat também desenvolveu um portal específico para o recebimento de projetos. Acesse aqui. As produtoras cadastradas no sistema podem enviar projetos para todos os canais da Globosat. Após avaliação interna, eles entram em contato com os produtores dos projetos que acharam mais interessante para uma reunião.

De todo modo, comparecer aos eventos de televisão é uma boa maneira de encontrar pessoalmente os executivos dos canais. Em alguns desses eventos também é possível participar de pitchings e de rodadas de negócios com as programadoras.

Espero que essas informações ajudem você, roteirista, a lapidar melhor seus projetos para a TV. Se tiver algo a acrescentar, deixe nos comentários. Se quiser se aprofundar mais nesse assunto, recomendo a leitura dos outros artigos dessa série. Nela, disponibilizei alguns modelos para download e aprofundei mais alguns assuntos que surgiram nos comentários deste artigo. E pra quem gosta de livros, recomendo dois títulos muito interessantes abaixo.

icon icon
icon icon

2. Criação

3. Produção

4. Orçamento

5. Modelo

Conheça alguns dos trabalhos realizados.

Roteirista e Produtor Executivo de TV, atua há 10 anos no mercado audiovisual com passagens por produtoras independentes, emissoras de TV aberta e fechada. Montou a Origina em 2015 para se tornar produtor independente, com foco em agenciamento de roteiristas, criação de conteúdo e planejamento. É diretor de Comunicação da ABRA - Associação Brasileira de Autores Roteiristas e sócio-fundador da GEDAR -Gestão de Direitos de Autores Roteiristas. Meu perfil profissional está disponível no Linkedin

79 Comentários

  1. Willian Alves 3 anos atrás

    Ótimo artigo, esclarecedor e bem objetivo para guiar quem ainda não entende muito sobre o assunto. Boa porta de entrada.

    Continue o bom trabalho Matheus!

  2. Washington 3 anos atrás

    Olá ótimo post parabéns!!! ainda tenho uma dúvida, como posso proteger o meu projeto? Tenho algo pronto mas fico com medo de enviar e ser copiado.

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Washington.

      A melhor maneira de garantir seus direitos é registrando o projeto na biblioteca nacional antes de enviar a qualquer pessoa.
      Visite o site da BN (www.bn.br)

      Abs.

  3. Samuel 3 anos atrás

    Olá Matheus! Tudo bem? Gostei muito do seu post 🙂
    Tenho um projeto em mente de fazer um programa esportivo diretamente pelo youtube…
    Alguma dica em relação a isso?

    Abraço!

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Samuel.

      O YouTube tem um bom material de orientação pra quem quer produzir conteúdo para a plataforma deles. A grande vantagem de produzir para internet, é que você mesmo pode colocar seu conteúdo no ar. Diferente do que acontece em TV, onde seu projeto precisa passar pelo crivo dos executivos dos canais. O YouTube é um ótimo lugar para testes e aprendizado. Se você souber trabalhar, também vai ser um ótimo lugar para fazer dinheiro com seu programa.

      Dá uma olhada nesse link:
      https://www.youtube.com/yt/creators/pt-BR/education.html

      Boa sorte.
      Abs!

  4. Matheus 3 anos atrás

    Olá Matheus.

    Bom, eu venho nos últimos meses desenvolvendo projetos de quadros para programas de TV. Tenho analisado e raparei que programas de grandes portes não estão chegando ao número de ibope esperado pela emissora, e que isso vem se tornando mais frequente ultimamente. Queria entender melhor, como faço pra conseguir enviar tais projetos meus para emissoras abertas como Record, SBT e até mesmo a grande Globo (especialmente a Record), e como posso proteger para que meus projetos não sejam copiados e usados pela emissora sem permissão. Tenho um grande sonho de me tornar apresentador e acho que contribuindo para crescimento de programas possa me ajudar a chegar no meu real objetivo. Me ajude!

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Matheus,

      O primeiro passo é registrar seu projeto na Biblioteca Nacional (www.bn.br). Assim você terá seus direitos de autor garantidos. Sobre apresentar projetos nas emissoras, até onde eu sei, nenhuma das emissoras de TV aberta possui um departamento que recebe projetos. Até mesmo pra quem trabalha dentro da emissora, muitas vezes não existe um canal oficial para levar a sua ideia. O cenário da TV paga é mais estruturado nesse sentido, e mais receptivo também. Pode ser uma alternativa.

      Abs.

  5. Rogéria Corrêa 3 anos atrás

    Olá Matheus Colen;

    Já te enviei um email e você me respondeu, obrigado, quero saber se você faz um plano de negocio do meu programa de tv para apresentar para as emissoras, pois pretendo licenciar meu programa.

    Atenciosamente;

    Rogéria Corrêa

  6. Rony Christian 3 anos atrás

    Gostei muito do seu post! Explicativo. Sinto que tenho potencial para escrever uma boa estória, porém, preciso da ajuda de algum crítico. Gostaria muito de obter resposta. Desde já, obrigado!

  7. Sandro 3 anos atrás

    Olá!

    Ótima matéria! Parabéns!

    Mas fiquei com UMA dúvida apenas: e o roteiristas que NÃO tem produtora? Como ele faz para apresentar seu projeto às emissoras (ou produtoras)? Elas aceitam?

    Abraco!

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Sandro.

      Sua dúvida é muito pertinente, porém a resposta para ela não é muito boa.
      São poucos os canais de TV que organizam seus processos internos para poder atuar com roteiristas independentes.

      A maioria deles prefere trabalhar com produtoras, pois isso dá mais segurança para o canal. Afinal de contas, ao mesmo tempo em que eles buscam ideias novas, eles também precisam de garantias de que o trabalho será produzido e entregue.

      O modelo de negócios do mercado audiovisual brasileiro não favorece muito o roteirista. Mas tenho fé de que isso irá mudar.

      Boa sorte!
      Abs.

  8. Adriano Colle Joaquim 3 anos atrás

    Olá Matheus, tudo bem? Obrigado por trazer tanta informação bacana! Tenho um Programa de treinamento e reabilitação de inglês que ajuda pessoas a se livrarem do vício de pensar antes de interagirem no idioma. É algo único. Meu programa tem potencial para virar um reality show, mostrando casos reais etc. Enviei um projeto que eu mesmo criei para um canal de televisão…obviamente, como não conheço este “mundo”…fui instruído a procurar uma produtora e apresentar meu projeto para eles. Você poderia me ajudar me dando mais detalhes de como devo proceder? Como deveria abordar a produtora? Como funciona a escolha de projetos? Podes me ajudar? Obrigado!

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Adriano.

      Pelo o que você menciona, acredito que você tenha uma premissa, uma ideia de um programa. E não um projeto. Você vai precisar realmente da ajuda de um roteirista, para te ajudar a formatar melhor o seu programa, e também de uma produtora para poder abordar os canais. Antes de sair no mercado buscando parcerias, escreva sua ideia e registre na Biblioteca Nacional (www.bn.br). O processo é bem simples e garante seu direito sobre a obra.

      Boa sorte.

  9. Gilsara Mattos 3 anos atrás

    Olá, Matheus!

    Agradeço muuito a sua boa vontade em investir seu tempo em escrever esses textos. Por eles, descobri o trajeto. Muito obrigada, ok? Pelos posts, você está ajudando muitas pessoas e não só a mim. 😉

    Agora, ficou uma pequena dúvida: sobre negociação.

    – Como negociar o meu projeto?
    – Eu estarei vendendo-o?
    – Como faço para mantê-lo meu e participar da rentabilidade da audiência dele?
    – Você sabe informar sobre valores?

    Grande abraço.

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Gilsara.

      Obrigado pelos elogios. 🙂

      Negociação é um capítulo bastante complicado. É importante ter em mente que você não precisa vender o seu projeto, mas sim licenciá-lo. Para que seja possível fazer isso, você precisará registrar seu projeto na biblioteca nacional para assegurar seus direitos de autor. Quando o seu projeto for produzido pela primeira vez, será preciso obter outros registros como o CPB (Certificado de Produto Brasileiro) e CRT (Certificado de Registro de Títulos), ambos emitidos pela Ancine, e também os tradicionais registros de marca emitidos pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

      Quando você cria um projeto, você é dono do Direito Autoral dele e também é dono de 100% do Direito Patrimonial dele. O Direito Patrimonial é o que regula a exploração econômica da obra. A negociação disso vai variar de acordo com cada produtor ou emissora que estiver licenciando seu projeto. Os valores variam muito caso a caso, mas em geral a lei de mercado sempre impera. Por que o licenciamento de um reality como o Big Brother ou A Fazenda custa tão caro? Porque são formatos que já foram produzidos em outros países, já possuem um histórico de sucesso. Isso confere mais segurança ao produtor e à emissora e demonstra que o projeto possui um bom valor agregado.

      O seu projeto não terá esse mesmo impacto. Portanto, tenha em mente que o licenciamento dele não vai ser milionário. Só tome cuidado para não dar boa parte do direito patrimonial ao produtor ou à emissora. Assegure sua parte nesse bolo, pois se o projeto fizer sucesso e ganhar escala, você ganhará também. O que acontece muito é os produtores obrigarem roteiristas a renunciarem boa parte ou até mesmo 100% de seus direitos patrimoniais, com contratos abusivos. É importante ficar de olho!

      Boa sorte!!

      • Francielle Mianes 3 anos atrás

        Boa tarde, Matheus!

        Gostei bastante da sua explicação dada à Gilsara, só fiquei com dúvida nesse seu último parágrafo. Eu também tenho um projeto de programa, o qual venho desenvolvendo como trabalho de conclusão de curso, por conta disso, procuro nesse momento uma produtora para elaboração de um piloto e, futuramente, uma parceria.

        No entanto, nesse momento de contrato que surgem as dúvidas, principalmente, diante desse seu último tópico, em relação aos meus direitos patrimoniais. Como posso fazer um contrato desse tipo? Teria algum modelo disponível? Como faço essa porcentagem de direitos?

        Desde já,
        agradeço a atenção e o parabenizo também pelo interesse em ajudar aos outros.

        • Autor
          Matheus Colen 3 anos atrás

          Olá Francielle.

          Obrigado pelos elogios.

          Esse contrato é firmado entre você e a produtora depois que vocês decidiram fechar a parceria. Ele formaliza a parceria. O que você precisa fazer em primeiro lugar é registrar seu projeto na Biblioteca Nacional (BN), para assegurar os seus direitos sobre a obra.

          Provavelmente a produtora possuirá um modelo de contrato. É sempre interessante levar uma cópia para algum advogado da sua confiança ler. Sobre a porcentagem, é negociação mesmo. Você pede a porcentagem que achar justo e tenta chegar num consenso com o produtor. Ainda não existe um padrão no mercado pra isso, é caso a caso mesmo.

          A questão dos direitos é importante, especialmente quando o seu projeto começa a render outros tipos de produtos. Como personagens infantis que lançam brinquedos, lancheiras e etc. O licenciamento desses produtos é feito para quem possui o direito patrimonial. Por isso é importante, como autor da obra, você assegurar uma parte do seu direito patrimonial. Quando o roteirista cede 100% do direito dele, perde a chance de ganhar com os produtos que sua criação gerou.

          Boa sorte com seu projeto.
          Abs.

  10. Evelyn 3 anos atrás

    Oi Matheus, parabéns pelo conteúdo de seu site. Muito bom. E obrigada por compartilhar seu conhecimento conosco.

    Minha dúvida: onde posso checar se já existe algum projeto com características similares ao meu antes que eu registre na BN ou até mesmo comece a produzir. Até mesmo com relação a nome etc…

    Existe algum site para consultar?

    Obrigada!

    Evelyn

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Evelyn.

      Obrigado pelos elogios.
      A BN possui um serviço de pesquisa de acervo, que você pode solicitar. Se não me engano, o serviço se chama busca de anterioridade.
      Para checar se o nome já existe, você precisa fazer uma consulta no site do INPI (www.inpi.gov.br), que é o órgão responsável pelo registro de marcas e patentes.

      Abraços!

  11. Mirtes 3 anos atrás

    Olá Matheus,

    Excelente texto e muito objetivo. Obrigada!
    Matheus, tenho uma ideia para um programa ancorado por um apresentador e gostaria de registrar o argumento na Biblioteca Nacional, mas não sou roteirista. Na net encontrei alguns exemplos de argumentos, mas todos de ficção. Não tenho ideia como seria o argumento de um programa não ficção. Gostaria de te perguntar se você tem ou sabe onde eu poderia conseguir um exemplo de argumento para programas de variedades.
    Mais uma vez obrigada e um abraço.

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Mirtes.

      Obrigado pelo elogio. =)

      Você pode escrever uma sinopse para o programa de variedades. É interessante você estruturar os quadros que ele vai ter, explicando o conceito de cada um. Faz uma sinopse mais geral, falando como é o programa e depois detalha cada um dos quadros. É isso o que você vai precisar registrar.

      Se precisar de ajuda com o registro, leia o post abaixo:
      http://www.matheuscolen.com/2015/01/03/direito-autoral-aprenda-a-registrar-sua-obra/

      Estou elaborando uma série de posts sobre formato de projetos de TV, onde vou colocar exemplos de estruturas. Acho que até Fevereiro eu conseguirei postar. Assina o blog, colocando seu email no formulário que tem no rodapé do site pra não perder esse post. Acho que vai te ajudar bastante.

      Boa sorte.
      Abs.

      • Mirtes 3 anos atrás

        Fantástico Matheus. Obrigada!
        Abraços!

  12. ELIETE TEREZINHA MARTINS 3 anos atrás

    OLA MATHEUS SUAS AULAS SÃO PERFEITAS ,NA REALIDADE PARA CHEGAR A SER UM ROTEIRISTA PRECISA MUITO CHÃO OU NASCER COM O DOM DA ESCRITA OU SEJA DE SER GRANDE IDEALIZADOR; CASO CONTRARIO MESMO SUA OBRA ESTANDO REGISTRADA CORRE O RISCO SER PLAGIADO A JUSTIÇA DEMORA NÃO ACONTECE , ESTE É MEU CASO . CAI NO ERRO DE ENVIAR PARA EMISSORA . ANOS DEPOIS LANÇARAM UMA NOVELA O CASO ESTA NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE FLORIANÓPOLIS SC NÃO DESISTO DO CASO A EMISSORA É RÉU CONFESSO TEM MUITAS PROVAS CONTRA A AUTORA DA TV ,TENHO A CERTIDÃO DE DIREITOS AUTORAIS. FPLIS 28 DE JANEIRO DE 2015

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Obrigado, Terezinha.

      Importante esse ponto que você levantou. Quando vou escrever algum projeto, procuro torná-lo algo bastante específico, dando grande atenção para os detalhes da trama, do formato, dos personagens e das relações entre eles. Quanto mais detalhado, melhor para o projeto e melhor para garantir seu direito sobre ele. Isso faz com que ele fique mais difícil de ser plagiado. Se você registra um argumento ou um tema muito genérico, pode haver dupla interpretação sobre aquilo. No caso de um processo, o Juiz pode entender que o projeto é genérico e por isso não considerar como plágio.

      Alguns temas ou situações dramáticas são muito recorrentes. É comum as pessoas terem uma ideia, registrarem rapidamente e não detalharem da maneira que deveriam. Aí quando algum projeto com a mesma premissa aparece na TV ou no cinema, a pessoa se sente lesada. Espero que esse não seja seu caso.

      Boa sorte com o processo Terezinha.

      Abs.

  13. Christiano 3 anos atrás

    Excelente texto, parabéns Matheus Colen, mesmo que publicado há quase um ano atrás, muito atual para mim. Se me permite, Matheus, gostaria de te perguntar como fica o plano negócio do ponto de vista do criativo? Do autor da obra. O que seria um bom negócio ou um bom contrato, para um autor/roteirista no começo de carreira? Dá para viver disso no Brasil? Quais são as dicas e riscos para não transformar um sonho num terrível pesadelo. Abs e uma vez mais, parabéns.

    • Autor
      Matheus Colen 3 anos atrás

      Olá Christiano.

      Essa é uma ótima pergunta, mas não sei se tenho a resposta. Vou te falar a minha experiência. Alguns produtores pegam 70% dos direitos da sua obra para poder comercializar e produzir. Já vi alguns que adotam essa prática, é uma espécie de padrão de mercado. Em geral, como em muitos mercados, essa regra muda de acordo com o nome do autor. É o poder de barganha.

      Se você comprar um tênis da marca XYZ, provavelmente pagará muito mais barato do que comprar um tênis da Nike por exemplo. Existem duas grandes diferenças entre a marca XYZ e a Nike.

      1 – Qualidade do produto que fabricam. A XYZ pode até ter uma boa qualidade, mas nunca terá as patentes que a Nike já desenvolveu.
      2 – A marca Nike é muito mais expressiva que a marca XYZ. E isso tem valor.

      Ou seja, se você for um autor iniciante, sem nome no mercado, o importante é justamente entrar no mercado. Com o tempo, se o seu trabalho tiver qualidade e for reconhecido, o seu sucesso pode abrir portas para novos contratos. O seu poder de barganha vai aumentar e você vai conseguir melhores contratos. É um modelo que não favorece quem está começando, mas é assim que funciona hoje.

      A regra aqui é não desistir. E caso você consiga sucesso, é importante tentar mudar os contratos para valorizar mais o seu trabalho. O importante é não trabalhar de graça. Na Associação dos Roteiristas nós temos uma tabela de preços que ajudam a orientar os contratos.

      Você pode ver a tabela no link abaixo:
      http://www.artv.art.br/index.php/docs-da-ar/150-tabela-de-ar-valores-2013

      Abs.

  14. Matias Rofino 2 anos atrás

    continuo com duvidas mas grande parte delas foram limadas. como fundamentar a minha ideia para posterior apresentacao. existe alguma plantaforma obrigatoria a seguir ou simplesmente expomos as ideias e em seguida levamos a apresentar. eu ja tenho escrito as ideias no papel com 5 paginas mas acho que ele nao esta pronto a ser apresentaddo alguma dica de como organizar? entregar a uma produtora torna se viavel a gestao do mesmo?

  15. Walquiria 2 anos atrás

    Olá Matheus, primeiramente parabéns pelo texto é muito esclarecedor!

    Porém eu tenho uma dúvida. Eu tenho um projeto de programa de tv no qual já venho produzindo a quase um ano pela internet. Ele já tem uma boa visibilidade, inclusive com alcance nacional. Minha dúvida é: já que eu já tenho uma produtora de vídeo e já faço as matérias, como devo encaixar isso na apresentação do projeto? Supondo que a emissora compre a ideia, eu continuo com os mesmos meios de produção, ou ela vai arcar com os custos? Desde já agradeço pela disponibilidade em compartilhar seu conhecimento, e mais uma vez parabéns.

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Walquiria.

      Obrigado pelo comentário. Pelo o que eu entendi, você não tem um projeto. Você tem um produto. Afinal, os vídeos já estão produzidos e publicados na Web. Você tem duas opções para oferecer seu produto para TV: vender o ‘enlatado’, que seria o seu produto pronto, os vídeos já produzidos e agrupados em temporadas. Ou então, vender o conceito do seu produto, para que ele seja produzido novamente, mas dessa vez pela emissora ou por uma produtora indicada pelo canal.

      Na verdade, acho que você pode oferecer essas duas opções na sua apresentação. Tem canal que vai optar por licenciar seu produto pronto, enquanto outros podem preferir licenciar o conceito e produzir novamente. Os números de views e estatísticas de acesso do produto podem ser bons argumentos na hora de abordar algum canal.

      Boa sorte.

      • Walquiria 2 anos atrás

        Muito obrigada pelos esclarecimentos! Abraço!

  16. VANIA 2 anos atrás

    Sou Mocambicana e estou a pesquisar como desenhar uma proposta de um programa televisivo.gostei muito das tuas dicas,pois elas me ajudaram muito.
    Obrigada e parabens pelo seu trabalho.

  17. Stefan 2 anos atrás

    Olá Matheus, ótimo post! Obrigado por dividir esse conhecimento!

    Você já conseguiu mais informações sobre o modelo para apresentar projetos no Discovery?

    Obrigado!

  18. Márcio Andrade 2 anos atrás

    Olá Matheus,

    Qual a diferença entre vender um projeto televisivo ou licenciá-lo? Me explique, se puder, na forma mais explícita possível. Grato!

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Márcio.

      O licenciamento está relacionado ao conceito do programa. Quando você cria um formato de programa e o registra, é como se ele fosse uma patente. Para alguém usar o seu formato para produzir uma versão do programa, precisará te pagar pelo direito de uso do formato que você criou. Então isso é o licenciamento do formato. Você permite que usem a sua ideia para produzir um novo programa. A versão brasileira do Master Chef, por exemplo. É um formato internacional, que foi licenciado para ser produzido novamente aqui no Brasil.

      Outra maneira de comprar conteúdo para TV é buscar pelo produto audiovisual propriamente dito. Pacote de episódios e temporadas de algum formato que já foi gravado, editado e finalizado. O pessoal costuma chamar isso de ‘enlatados’. A novela Mil e Uma Noites da BAND é um exemplo. É um produto que foi comprado completo, sem necessidade de produção local.

      Espero ter ajudado na sua dúvida.

      Abs!

  19. Márcio Andrade 2 anos atrás

    Olá Matheus,

    Esqueci de perguntar: no caso de um produtor independente, o que mais acontece relacionado à uma produtora ou uma emissora de televisão, é a venda ou o licenciamento?

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Marcio.

      Essa é uma boa pergunta. A Lei da TV Paga (Lei 12.485) entrou em vigor há pouco tempo e ainda está mexendo com o mercado de produção independente. Os investimentos do governo em audiovisual ainda estão sendo realizados. Portanto, esse é um mercado que está em formação. Difícil dizer se existe um modelo de projeto para tv que tenha funcionado melhor que outro. Acredito que tudo ainda está sendo testado.

      É esperar para ver.

      Abs!

  20. Frank Maia 2 anos atrás

    Olá MATHEUS COLEN

    Antes de tudo quero lhe parabenizar por todas as informações deixadas aqui, pois, eu acredito que todas elas são de grande vália para todos nós. Que buscamos conhecimentos com os grandes mestres do assunto. E sendo assim, eu gostaria de saber se você poderia me ajudar na criação da ELABORAÇÃO DE PROJETOS PARA CAPACITAÇÃO DE RECURSO, ou seja a fazer um plano de negocio do meu programa de tv para que eu eu possa apresentar para as emissoras de tv, pois pretendo licenciar um programa chamado: Programa do Frank Maia, um programa de variedades, um nome criado por mim mesmo. Confesso que tenho várias dúvidas, por conta disso, procuro a sua ajuda para a criação de um projeto ou seja o esqueleto do programa de tv. para que eu leve até uma emissora de tv que me pediu com urgência este projeto/esqueleto.

    Desde já agradeço por sua atenção!

    Atenciosamente;

    Frank Maia

  21. Frank Maia 2 anos atrás

    Olá MATHEUS COLEN

    Vim lhe agradecer pelos seus esclarecimentos! E confesso que ainda estou em busca de pessoas que possam e queiram me ajudar na ELABORAÇÃO DE UM PROJETO PARA PROGRAMA DE TV. Tenho uma grande urgência, já que eu tenho apenas um mês para apresentar o projeto para a direção de tv, a qual tem interesse em colocar o meu programa de tv no “ar” até o final de Julho de 2015.

    Abraço!

    Att,

    FRANK MAIA

  22. Mauro 2 anos atrás

    Matheus, um programa de viagens e turismo, ancorado por um apresentador, que visita e apresenta diversos destinos e mostra hotéis, comidas, transportes, entretenimento e pontos de interesses turísticos, em cada episodio, um destino diferente. Poderíamos dizer que é um reality ou um programa de variedades ?
    Abçs
    Mauro

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Oi Mauro.

      Nesse caso você vai ter um programa de viagens mesmo.
      Variedades é algo que aborda vários temas.

      Abs.

  23. Gustavo Sicchieri 2 anos atrás

    Boa Tarde Matheus,

    primeiramente meus parabéns pelo site e pelas informações, deixei um elogio em um dos outros tópicos, mas acredito que este seja mais visualizado, então reitero aqui.

    Estou com uma dúvida que, caso possa me esclarecer, será de grande valia. Num dos posts acima você comentou sobre o “Masterchef”, que foi um conceito de programa licenciado e, assim, “regravado” aqui no Brasil. O licenciamento imagino que tenha um certo custo, os chamados “royalties”.

    E no caso de um programa, por exemplo, de um apresentador que entra no meio do mato, acha animais perigosos e explica sobre eles, sobre os perigos e tal? Ou mesmo um programa em que o apresentador vai até uma fábrica e segue explicando cada etapa de produção até o produto final? Para ambos os casos existem diversos programas no National Geographic, Discovery Channel ou History Channel! Isto quer dizer que são conceitos de programas “patenteados”? E que para serem gravados no Brasil, mesmo que por uma produtora independente no interior do Estado de São Paulo, com exibição a nível regional, devam ser licenciados?

    Ou seja, até onde eu posso utilizar a ideia de um programa “baseado” nesses canais sem que eu esteja utilizando de seu conceito de programa? Por exemplo, para filmar animais ou o interior de uma fábrica (exemplos acima) e circular na mídia sei que não existe a necessidade de “royalties”, mas como vou saber até onde isso pode ser interpretado como se eu estivesse “copiando a ideia” de um desses programas?

    Espero que eu tenha conseguido ser claro na minha dúvida, comunicação não é o meu forte, rs. Desde já agradeço a atenção.

    Att.

    Gustavo Sicchieri

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Gustavo.
      Vi seu comentário no outro post, reitero meu agradecimento aos elogios aqui também! =)

      Sobre sua dúvida, o que é possível registrar é o formato do programa e não o tema.
      Um programa de um sujeito que entra no mato para falar dos animais é sobre o tema BIOLOGIA. Isso não tem dono. Agora, a maneira como você aborda esse conteúdo é o que faz o formato. Isso tem muito a ver com o jeito que o roteiro do programa funciona. Quais personagens o programa possui e quais ações e situações irão acontecer, e em qual ordem.

      Primeiro ele entra no mato e depois ele fala do animal? Ou ele fala do animal num zoológico e depois vai buscar um espécime no meio do mato? A ordem como as coisas acontecem e o jeito que elas acontecem é o que faz o formato. Por isso que na hora da criação de um programa, quanto mais específico você for, melhor.

      Você pode inventar um reality de confinamento que seja diferente de todos os outros que existem (Fazenda, Big Brother). Basta ser bastante específico na sua criação e registrá-la depois. Se você criar um formato que use a mesma sequência de ações e arquétipos de personagens de outro formato que já existe, então você precisará pagar royalities para usar o formato original.

      Boa sorte!
      Abs

  24. Gustavo Sicchieri 2 anos atrás

    Bom dia Matheus,

    você não poderia ter sido mais pertinente na resposta, ficou perfeitamente claro para mim. Muito obrigado.

    Att.

    Gustavo Sicchieri

  25. marcos Bortone 2 anos atrás

    Olá Matheus, estou idealizando um programa para televisão com caracteristicas de “Game Show”. Gostaria de saber se tudo que foi falado até aqui, vale também para esse formato ou tem detalhes específicos. O que você poderia acrescentar ou sugerir para quem não é “ainda” do ramo. Desde já agradeço e parabenizo pelo seu trabalho.

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Marcos.

      De modo geral, vale sim.
      Só lembrar que quanto mais específico você for nas regras do seu game, melhor. Assim você vai conseguir diferenciá-lo dos demais.

      Abraços e boa escrita.

  26. paulo 2 anos atrás

    boa noite matheus . olha só. do nada me veio uma ideia de um programa de televisão , do qual eu nunca viii em tv aberta no mundo, acredito q foi a IDEIA. gostaria de saber como faço pra desenvolver um projeto? exite alg metodo a ser seguido? meu email. pauloeugenioimoveis@hotmail.com

  27. Igor Vilarim 2 anos atrás

    Olá Mateus!
    Primeiramente, parabéns pelo excelente texto. Nunca fui roteirista, na verdade, sou designer gráfico e um amante da escrita. Certo dia, tive uma “idéia” de um programa que poderia ser feito para TV ou internet e pesquisando em sites de busca sobre como produzir ou registrar a idéia, acabei achando esse texto.

    Você teria como disponibilizar um PDF ou PPT de um programa ou ou exemplo dos tópicos que devem estar escritos?
    Ou não existe essa “receita exata” de bolo e cada idéia é apresentada como o roteirista quiser, obedecendo apenas os pontos básicos conforme seu texto diz?

    Digo isso, porque na minha profissão, quando vou desenvolver por exemplo uma nova marca. Eu apresento um documento com a defesa de criação e ela é sempre “igual”, obedecendo os mesmos pontos referentes a conceito, cores, fontes, concepção e assim por diante,

    Obrigado!

  28. Jullyano Skalitzis Fiori 2 anos atrás

    Olá Matheus
    Eu sou um estudante de direito com 19 anos e estou com um projeto que tenho em mente desde os 12 anos eu sei que sou muito amador não sei corretamente a ortografia para escrever um roteiro digno mais tenho uma ideia que não sei se vai desbancar o Game of Thrones mais chega bem perto daquele nível seria uma série que viria de livros,não sei como entrar em contato com uma grande produtora e ainda não passei meus pensamentos para um roteiro escrito queria saber mesmo se algum roteirista profissional escreveria meu roteiro com a minha autoria e se existe a possibilidade de um dia eu produzir algo no nível do Game of Thrones desde já obrigado.

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Jullyano.

      Sua dúvida é pertinente e abre espaço para esclarecer algo importante. Todo roteirista se torna autor daquilo que escreve. Em geral, é possível ter um roteirista que é o ‘dono da ideia’, que desenvolveu o argumento inicial e o conceito da obra. Porém, quando outros roteiristas se juntam no projeto para ajudar a escrever, eles também se tornam autores. Então não existe isso de alguém escrever uma ideia sua sem ter parte na autoria.

      Outro ponto importante a ser destacado é que toda ideia é genial na cabeça de quem a teve, entende? O maior trabalho não é ter a ideia em si. Mas sim, ter a capacidade e competência de conseguir estruturar essa ideia e transformá-la numa história que seja interessante para o público ler, ouvir, assistir. Game Of Thrones é um trabalho bastante elaborado, que envolveu muitas pessoas e um autor extremamente talentoso. Portanto a dica aqui é, não deixe suas ideias se tornarem maiores do que você.

      Esse tipo de pretensão não é saudável pra quem escreve. Se você está em início de carreira e já acha que seu projeto é tão bom quanto Game of Thrones, significa que você considera o seu trabalho extremamente bom. Isso vai te impedir de crescer e de se desenvolver como autor ou roteirista. Afinal, se você já consegue ser tão bom quanto o George R. R. Martin, o que sobra pra melhorar, não é mesmo?

      Não desista da sua jornada, e continue a escrever sempre. Quanto mais você escrever, melhor você vai ficar.

      Abs.

  29. Jullyano Skalitzis Fiori 2 anos atrás

    Matheus
    Gostei muito do seu comentário e realmente percebo que tenho muito a aprender e exagerei na minha ideia e percebi também o quanto o seu profissionalismo esta demonstrado neste comentário realmente muito obrigado.
    Abs.

  30. Márcio Andrade 2 anos atrás

    Olá Matheus,

    Esclareça-me esta dúvida que é bastante pertinente: essas produtoras de TV independentes são verdadeiramente… independentes? A maioria delas, se não forem todas, parece que só vive de benesses criadas pelo governo, tais como a lei de incentivo à cultura, a famigerada Lei Rouanet, e cotas na TV paga. E estas leis se enquadram nelas somente projetos de FICÇÃO ou também os de NÃO FICÇÃO? Sendo assim, quais produtoras de TV são de verdade independentes? Em outras palavras: quais delas têm o seu próprio capital para investimento? Você teria, por exemplo, e-mails para entrarmos em contato com elas?

    Grato.

    • Autor
      Matheus Colen 2 anos atrás

      Olá Márcio.

      Sua dúvida é pertinente sim. A definição de produtora brasileira independente, que inclusive se encontra nos editais da ANCINE para o setor, é de empresa brasileira não vinculada à grupo econômico. Ou seja, uma produtora é considerada independente quando ela não tem vínculo societário com outras empresas ou holdings.

      A Lei Rouanet foi bastante criticada pelas falhas que ela possuía nos mecanismos de incentivo e no acompanhamento da qualidade dos projetos. Acho que um dos principais problemas dessa lei era o foco que ela possuía na prestação de contas, deixando de lado o foco na qualidade do produto. Porém, a Lei da TV Paga e os mecanismos do FSA evoluíram bastante depois disso. Hoje em dia o FSA participa do retorno financeiro de tudo o que ele investe. A proposta do mecanismo é sempre a de recuperar o dinheiro investido, como acontece no investimento privado. Eu acho isso benéfico para o mercado, pois não tem mais essa de ‘dinheiro a fundo perdido’. Se a obra que recebeu dinheiro do FSA fizer sucesso, ela devolve o dinheiro que recebeu para o fundo. Assim o FSA pode continuar fomentando o mercado continuamente.

      Os projetos que podem ser cadastrados são de vários gêneros. Eles não limitam somente para ficção. Agora sobre quais produtoras possuem dinheiro para investir, isso é algo bem difícil de saber pois se trata de informação estratégica das empresas. Algo que nem todos saem por aí falando aos quatro ventos. Porém, levando em conta o momento econômico do Brasil, acredito que são poucos, bem poucos.

      Sobre o contato com as produtoras, a melhor maneira é pesquisar bem o mercado e estar presente nos fóruns de TV e abordar os produtores lá.

      Espero ter ajudado.
      Abs!

  31. Roberto 2 anos atrás

    Matheus parabéns em compartilhar seus conhecimentos !

    Queria saber como faço pra registrar um game show não somente na BN mas também no exterior.
    Obrigado.

  32. Márcio Andrade 2 anos atrás

    Olá Matheus,

    Por que nenhuma produtora de TV independente, brasileira, não se destaca internacional, quiçá, nacionalmente? Pelo contrário: o mercado audiovisual brasileiro, a título de exemplo, no que tange, ao licenciamento de formatos, é completamente, dominado pelas gigantes internacionais: Endemol, FremantleMedia e Eyeworks. Esta última, nem tanto quanto as duas primeiras, especialmente a holandesa. E a despeito de produtores independentes, não sei se já fora perguntado, mas quantos por cento em média eles ficam com os direitos patrimoniais de seus projetos, quando o mesmo trabalha para uma produtora ou emissora de televisão. E essa porcentagem, diz respeito igualmente ao licenciamento de seus formatos para outros países?

    Grato.

    • Autor
      Matheus Colen 1 ano atrás

      Olá Marcio.

      Não tenho a resposta para sua primeira pergunta. Talvez seja porque o Brasil é reconhecido como um grande exportador de Novelas, mas isso é um apenas um chute. Esse diagnóstico é um pouco complicado de fazer e reconheço que ainda não conheço todas as variáveis dessa equação, então fica complicado eu fazer suposições aqui..

      Sobre as porcentagens, isso acaba variando de caso a caso. Por exemplo. Se você criou um programa, você tem 100% do Direito Patrimonial. Mas em TV, ninguém faz nada sozinho.

      Então você vai precisar encontrar produtores, investidores, canais de exibição para lhe ajudarem a viabilizar sua ideia. Nessa trajetória você fatalmente irá ter de compartilhar o direito patrimonial da sua obra com os parceiros que você arrumar pelo caminho. É como uma sociedade. Alguém entra com a ideia, outro entra com dinheiro, outros com o conhecimento e depois tudo é divido. Como essa divisão acontece, varia caso a caso.

      Espero ter ajudado.

      Abs!

  33. marcos 1 ano atrás

    Eu tenho bons projetos e gostaria de poder vende los a uma emissora de TV.
    E-mail amigosdaweb@yahoo.com

    • Autor
      Matheus Colen 1 ano atrás

      Olá Marcos.
      O melhor caminho para isso é visitar os eventos de televisão e estreitar relacionamento com os executivos. O Rio Content Market é o maior evento do tipo que acontece no Brasil. Estive lá este ano e fiz um resumo dos principais painéis. Se quiser saber mais sobre o evento, dá uma olhada no link abaixo.

      http://www.matheuscolen.com/2016/03/21/rio-content-market-2016/

      Abs!

  34. Jalmir 1 ano atrás

    Olá Matheus.
    Eu tenho uma ideia de um documentário que pode a ser uma série de documentários no conceito que eu pensei. Eu não sei como fazer um projeto de série, tem algum site ou esqueleto de projetos para usar como referencia? Tenho uma vontade imensa de tentar colocar em um edital ou ir procurar por empresas dispostas a usar da lei do incentivo.
    Bom, obrigado desde agora. Att

  35. Beatriz Vieira 1 ano atrás

    Preciso de mais ajuda, gostei muito das informacoes. Estou querendo colocar um programa no ar , ja tenho cronograma e tudo mais… so que preciso entender muita coisa. pode me ajudar? podemos trocar por email.

    • Autor
      Matheus Colen 1 ano atrás

      Olá Beatriz, tudo bem?

      Publica sua dúvida aqui, pode ser? Assim outras pessoas poderão ler também.
      Às vezes sua dúvida é a mesma de outros que acessam o site.

      Abs!

  36. gilvan albuquerque gomes cavalcanti 1 ano atrás

    ola Matheus Colen.

    sensacional sua ajuda e conhecimento sobre o tema, estou com uma ideia nova para um reality show (game show),estou na fase de produção do roteiro tirando da cabeça para o papel, assim que tiver pronto irei registrar na BN. conforme você explicou muito bem, e minha duvida e em conseguir mostrar esse roteiro para os canais corretos, sou amador estou descobrido o desenrolar por pesquisas e vc foi um dos melhores canais que descobri, onde poderia divulgar meu roteiro, aqui no brasil e no exterior. agradeço antecipado.

    • Autor
      Matheus Colen 1 ano atrás

      Olá, Gilvan.

      Obrigado pelos elogios. Infelizmente não existem muitos canais onde é possível apresentar roteiros e projetos. A melhor maneira de fazer contato com produtores de TV é nos eventos do meio. Temos o Rio Content Market (www.riocontentmarket.com), que ocorre em Abril, e tem o Telas Forum em São Paulo (www.forumbrasiltv.com.br), que geralmente ocorre no segundo semestre.

      Nosso mercado carece de agentes de roteiro. Então os roteiristas precisam procurar fechar parcerias com produtoras para levar seus projetos aos canais. É um caminho tortuoso e complicado. Mas se você gosta do que faz, não desista dele.

      Espero que continue acompanhando o blog.

      Abraços!

  37. gilvan albuquerque gomes cavalcanti 1 ano atrás

    matheus,

    obrigado pelas dicas, irei sim continuar acompanhando seu blog, cara quando meu roteiro estiver tudo ok te enviarei uma sinopse pra você dar sua opinião que pra mim sera super importante e motivadora.Mais uma vez obrigado…

  38. bernardo 11 meses atrás

    Olá Sr.

    Gostaria de Saber como faço para marcar uma reunião com diretor artístico ou produtores responsáveis (diretores) enfim Como Marcar reunião com esse tipos de profissionais com as TVs, Qualquer Emissora, A Principio tenho um escopo de um programa de tv que não há no mercado, depois que eu desenvolver essa ideia e amadurece-la gostaria de apresentar para as emissoras em primeiro momento com a GLOBO, RECORD, REDE TV E BAND, mas se não for possível pode ser Multishow, Bis, Warner, discovery, sony, Enfim a Lista é extensa… Muito Obrigado pelo Site/Blog é muito bom Alias esse post sobre programas é incrivel mas gostaria de mais detalhes se possível …por isso eu te mandei essa pergunta! Muito Obrigado e Espero por Respostas !

    ATT: Bernardo

  39. Pic8 10 meses atrás

    Olá!
    Parabéns pela publicação.
    Já têm alguma informação sobre a Fox e a Viacom? E como é que eu lhes posso vender os meus conteúdos?
    Abs!

    • Autor
      Matheus Colen 10 meses atrás

      Obrigado, Pic8.

      No caso da FOX e da Viacom, é preciso ir para as feiras e congressos e participar das rodadas de negócios.
      Tem canais que fizeram um site para receber conteúdo, como é o caso da Globosat. Mas nesses dois casos, ainda não tenho notícias se fizeram algo semelhante. De qualquer modo, ir aos congressos é a melhor maneira de abordar os executivos de tv paga.

      Abs!

  40. Afranio Melo 10 meses atrás

    Parabens, Matheus, pelos esclarecimentos. Como faço para me associar na Associacao dos Roteirstas ? Sou advogado e musico e sempre gostei de escrever para a Tv e agora quero mostrar minhas ideias.

    • Autor
      Matheus Colen 10 meses atrás

      Olá, Afranio.

      Obrigado pelo elogio.
      Sobre se tornar associado da ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas), você pode encontrar informações sobre filiação no link abaixo:

      http://www.abra.art.br/associe-se

      Abs!

  41. Cainara Biondo 9 meses atrás

    Ótima matéria parabéns! Bem explicativa e completa, ajudou bastante, espero que em breve tenha outras para nos ajudar! Merece 5 estrelas. rs

  42. Adriano 6 meses atrás

    Muito bom artigo, parabens!

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

quatro × três =