Os 4 Pilares do Projeto Audiovisual

Os 4 Pilares do Projeto Audiovisual

Um projeto audiovisual é muito mais do que apenas uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Por se tratar de um tipo de obra que envolve muitos profissionais de especialidades diferentes, é preciso ter o projeto bem organizado na sua gênese para que ele tenha mais chances de ser produzido. Há 4 pilares que você precisa ter em mente quando estiver desenvolvendo seu projeto audiovisual.

O projeto audiovisual em 4 etapas

Para que um projeto audiovisual saia do papel e se torne uma obra exibida na televisão, cinema ou internet, ele precisa reunir ao mesmo tempo esses quatro elementos: ideia, produção, financiamento e canal de exibição. Se apenas um deles não estiver presente, a chance do seu projeto andar é muito baixa. Vamos entender melhor cada um desses pilares:

01 – A ideia

Aqui usamos o termo ideia de modo mais simplista mesmo, pois é como as pessoas em geral estão acostumadas a lidar com isso. Contudo, é importante saber que apenas uma ideia não adianta muita coisa. Uma ideia em si, se não estiver acompanhada de um roteiro e um plano de produção, não vai ajudar a obra a sair do papel.

É muito comum as pessoas “terem ideias” de filme, de série ou programa de TV. Ideias surgem o tempo todo em todos os lugares. Inclusive, é muito comum pessoas diferentes terem ideias parecidas. O desafio aqui não é ter a ideia original, mas sim saber estruturá-la num roteiro interessante para que possa ser produzido mais tarde.

Portanto, você precisa de um roteirista para ajudar a desenvolver a sua ideia. O desenvolvimento é a parte mais importante do projeto, pois se ela não for feita direito, o sucesso do projeto estará comprometido. Para uma obra de documentário, o desenvolvimento implica num aprofundamento da pesquisa, na elaboração de uma estratégia de abordagem do tema, na eleição dos personagens e na escolha da estrutura narrativa.

Num projeto de ficção, o desenvolvimento significa criar todo o background da história, elaborar a trama e os conflitos, criar os personagens com alguma profundidade e estabelecer estrutura narrativa. Como você pode ver, desenvolver uma ideia de projeto audiovisual não é algo tão simples.

Para minimizar os custos, é comum os produtores e roteiristas fazerem um desenvolvimento mais raso num primeiro momento. Elabora-se apenas o material fundamental que será usado na venda do projeto para um canal, distribuidora ou patrocinador. Uma vez vendido, investe-se no desenvolvimento final.

02 – A Produção

Tirar um projeto audiovisual do papel é o trabalho da produção. Na grande maioria das vezes, não adianta muita coisa abordar os players do mercado apenas com uma ideia pré-desenvolvida. Se ela não vier acompanhada de um orçamento e um planejamento de produção e de financiamento, dificilmente as negociações vão caminhar.

As empresas produtoras de conteúdo são quem possuem os recursos para organizar o projeto técnico da obra, viabilizando a produção toda. Normalmente, o produtor é quem vai atrás de elenco, que fornece uma base para a equipe trabalhar, se organiza com relação aos equipamentos que serão utilizados e como será feita a pós-produção.

Numa negociação, a produtora é quem acaba contratada pelo player para entregar o produto audiovisual. Produtoras novas, que ainda estão nos primeiros trabalhos, possuem o desafio de provar aos players que possuem capacidade de entrega. Ou seja, que são capazes de levar a produção da obra audiovisual até o final.

03 – O Financiamento

Este talvez seja o pilar mais delicado entre os quatro. Em algum momento, alguém vai precisar pagar a conta da produção para que o projeto audiovisual saia do papel e seja produzido. O financiamento pode vir de muitos lugares diferentes. A estratégia aqui é possuir um bom plano de financiamento, para que o orçamento do seu projeto seja “levantado” satisfatoriamente.

No campo do investimento público, existem dois grandes mecanismos de financiamento da produção audiovisual no Brasil: a Lei do Audiovisual e o Fundo Setorial do Audiovisual. O primeiro se caracteriza por ser um mecanismo de renúncia fiscal, ou seja, fomento indireto. Já o FSA é um mecanismo de fomento direto.

Sempre há também a possibilidade do “dinheiro bom”. É desse modo que é chamado o dinheiro que não vem do incentivo público. Dinheiro bom pode ser o investimento de uma marca ou anunciante no projeto, ou pode ainda ser o dinheiro do próprio player. Esse segundo caso é mais comum de ocorrer quando a relação entre o player e a produtora já está mais consolidada e o canal se sente seguro de comprar a produção da obra.

04 – Canal de Exibição

O Canal de Exibição, como o próprio nome diz, é onde a obra audiovisual será veiculada. Em qual mercado ela irá circular inicialmente? Há várias possibilidades nos dias de hoje: salas de exibição, TV paga, TV aberta, VoD e outras plataformas digitais. Portanto, se nenhum canal tem interesse em exibir sua obra, dificilmente ela sairá do papel.

Não existe uma fórmula mágica para acertar o interesse dos canais de exibição em determinado projeto. Porém, é muito importante conhecer o perfil de conteúdo com o qual trabalham, para não ofertar um projeto que nada tem a ver com o canal. É importante ter em mente também que em alguns casos os canais podem pedir adaptações no projeto para que ele se adeque melhor à grade, ao portfólio de produtos ou à estratégia e conteúdo do player.

Cada tipo de mercado possui maneiras diferentes de monetizar a obra audiovisual. É importante também ter isso em mente, pois essas receitas geradas pelo projeto é que podem ajudar a viabilizar o orçamento de produção da própria obra ou ainda de projetos futuros da produtora.

Sem essas quatro coisas reunidas, o projeto tem menos chances de se tornar realidade.

Atuo como roteirista e produtor executivo de TV há 12 anos. Passagens por BAND, SBT e produtoras independentes no departamento de roteiro e desenvolvimento de projetos com trabalhos exibidos no Multishow, Canal Sony, SBT e Disney Channel. Auxilio produtores a formatarem seus projetos e presto consultorias para inscrição e acompanhamento de projetos em leis de incentivo.

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