Debates sobre audiência: Comprar seguidores

Debates sobre audiência: Comprar seguidores

Já falamos anteriormente sobre as diferenças que existem na análise de audiência entre TV e Internet. Enquanto a TV utiliza estimativas, a internet consegue oferecer um detalhamento muito maior sobre o perfil e comportamento do público. Esse tipo informação pode ser um diferencial para produzir conteúdo direcionado e alinhado às demandas da audiência. Contudo, o hábito de comprar seguidores está tirando qualidade das análises digitais.

Comprar seguidores: sacada ou roubada?

Comprar seguidores: Engajamento sob demanda

Todo esse movimento de comprar seguidores para aumentar o engajamento nas redes sociais tem origem numa única coisa: o dinheiro das marcas! Para se aproximar do público consumidor com mais eficiência, muitas marcas viram nos influenciadores digitais um canal de comunicação capaz de oferecer retornos interessantes a um custo menor do que mídias como impressos e televisão.

De olho nessa grana, muitas pessoas estão aumentando seus números nas redes sociais com a ajuda de robôs e aplicativos de compras de likes, seguidores e comentários. Isso faz com que os perfis dessas pessoas sejam inflados artificialmente, não estabelecendo uma relação direta entre o produtor de conteúdo e seus seguidores. Desse modo, um profile com centenas de milhares de seguidores pode oferecer um engajamento muito baixo.

Em países como China e Rússia, as “fazendas de cliques” e o mercado de compra de seguidores está em alta. Existem máquinas posicionadas nos shoppings, em que você consegue adicionar algumas centenas de seguidores, likes ou comentários por um preço bem acessível.

No Brasil também já existem empresas ofertando esse tipo de serviço. A questão que fica é: até que ponto as marcas estarão dispostas a investir nos influenciadores de internet, sabendo de todos esses artifícios?

Mídia Tradicional vs. Novas Mídias

Se tem uma coisa que as mídias tradicionais como jornais, revistas, periódicos, rádio, TV e o cinema, sabem fazer é se comunicar com o público. Alguns miram em grandes audiências, outros trabalham nichos de conteúdo. Em ambos os casos, o desafio para manter a publicação nas bancas, o programa de TV no ar, ou o filme em cartaz, é criar conteúdo interessante o suficiente para atrair a atenção e a fidelidade da audiência.

Se por um lado as mídias digitais ganham quando o assunto é a qualidade da mensuração de audiência, elas ainda perdem para as mídias tradicionais no campo da produção de conteúdo. E isso ocorre muito em decorrência do aspecto econômico do negócio. Os investimentos em produção de conteúdo exclusivo para as mídias digitais ainda estão distantes do que é investido nas mídias tradicionais. A TV ainda recebe a maior fatia do mercado publicitário no Brasil.

Custa dinheiro produzir conteúdo para essas mídias, portanto não há muito espaço para erros ou excentricidades. Além do fato das empresas de mídia já possuírem um conhecimento amplo sobre diversos aspectos da produção de seu conteúdo e do relacionamento com a audiência.

Agora, qual é o custo para se manter uma conta no Instagram ou Facebook? Nenhum. Se considerarmos a verba para comprar seguidores, alguns milhares de reais já resolvem o problema e podem alçar alguém do completo anonimato a digital influencer em poucas semanas. Criar uma celebridade na TV ou no Cinema envolve muito mais dinheiro.

O baixo custo para forjar os números de engajamento nas redes sociais tornam o ambiente digital mais vulnerável a análises e investimentos equivocados. Cedo ou tarde os anunciantes percebem quando o investimento em mídia não deu o retorno esperado e mudam de estratégia.

Algumas marcas também apostaram na compra de seguidores para turbinar seus profiles, mas isso nem sempre é um boa ideia. Seguidores falsos derrubam os números de engajamento e levam embora a relevância do conteúdo publicado na página da marca. Os algoritmos exibem menos conteúdo de páginas com taxas de engajamento reduzidas.

Por contornar o problema, plataformas como Twitter, Facebook e Instagram investem pesado para combater esse tipo de prática, já que isso mancha a credibilidade desses meios perante os anunciantes. Estima-se que cerca de 2% das contas registradas no Facebook são fakes e outras 6% são contas duplicadas. Levando em conta que o Facebook tem mais de 2 bilhões de usuários, isso significa algo em torno de 270 milhões de profiles.

Trata-se de um grande problema para o mercado de mídia digital. Observar essa tendência de perto é fundamental pra quem pretende entrar nesse mercado, seja como influenciador ou como marca.

E você? Conhece alguém que já comprou likes? Deixe seu depoimento nos comentários.

Atuo como roteirista e produtor executivo de TV há 12 anos. Passagens por BAND, SBT e produtoras independentes no departamento de roteiro e desenvolvimento de projetos com trabalhos exibidos no Multishow, Canal Sony, SBT e Disney Channel. Auxilio produtores a formatarem seus projetos e presto consultorias para inscrição e acompanhamento de projetos em leis de incentivo.

0 Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

oito − 6 =