Exemplos de Realidade Virtual

Exemplos de Realidade Virtual

A realidade virtual virou A tendência tecnológica em 2016. Dezenas de games estão surgindo com base nessa tecnologia. Existem vários modelos de óculos disponíveis e o futuro desse mercado parece bastante promissor. Mas a realidade virtual se resume somente aos games? Negativo! Existem outras aplicações bastante interessantes. A ideia aqui é mostrar alguns exemplos de realidade virtual já existentes e especular um pouco sobre o futuro da tecnologia (afinal, quem nunca?).

A arte e a realidade virtual

O talento dos artistas é expressado das mais diversas formas, de acordo com suas plataformas e técnicas de trabalho. Os profissionais dessa área lapidam seus objetos, ferramentas, matérias primas e técnicas durante anos a fio, até chegarem ao estado da arte.

Pois bem, alguns aplicativos podem surgir para potencializar o talento dessa galera. O Google Tilt Brush é um app de desenho em VR, onde é possível criar uma pintura em 3D no ambiente. Isso pode abrir as portas para instalações artísticas onde você se sentirá imerso num cenário imaginado e produzido virtualmente pelo artista.

A partir disso, novos ambientes de produção artística poderão surgir. Imagine um músico trabalhando em seu quarto, cercado pelos seus instrumentos, sintetizadores, mixers e processadores de efeitos, como se estivesse num estúdio profissional. Desenvolvedores de games poderão andar em suas fases na medida em que as constroem. Esculturas que falam? Se soltar a imaginação, esse assunto vai longe.

Tudo muito impressionante no lado da produção artística. Mas como a realidade virtual vai deixar a experiência de consumir arte mais interessante? Passear no museu virtualmente não parece algo tão atrativo. Que tal entrar nos quadros?

Realidade virtual na educação: ampliando horizontes.

Aplicar realidade virtual na educação é uma forma de oferecer inúmeras vantagens ao processo de aprendizado. Num mundo hiperconectado, globalizado e online, é natural que novos objetos de aprendizagem apareçam e transformem a experiência de aprender em algo mais legal do que apenas ouvir um sujeito falar durante 45 minutos, ou ler um livro e tentar memorizar tudo.

O ensino à distância tira proveito de muitos objetos de aprendizagem. Jogos, videoaulas, textos, galerias de imagens, aulas narradas, artigos e exercícios interativos são os mais comuns. Com a realidade virtual, novos objetos entram nesse portfólio. Que tal fazer uma visita ao Grand Canyon e olhar por si mesmo a beleza e as características do lugar, enquanto o professor explica a formação geológica?

Com essa tecnologia, professores e alunos podem se transportar para os mais diversos ambientes, chegando a lugares onde as tradicionais excursões nunca chegariam. Além de visitar lugares reais, a realidade virtual feita com técnicas de animação pode ser ótima para colocar o aluno em ambientes impossíveis de visitar no mundo real. Como por exemplo, ao lado de tubarões brancos no fundo do mar. Vejam que incrível esse vídeo.

No campo dos treinamentos, a realidade virtual já é usada há tempos. Médicos, pilotos e cientistas já usam cabines específicas de realidade virtual pra simular seus ambientes de trabalho, reduzindo os riscos envolvidos no processo de aprendizado nessas áreas.

Exemplos de realidade virtual na medicina.

A medicina é um campo que pode tirar muito proveito da realidade virtual. Ela pode potencializar ainda mais a telemedicina, as cirurgias robóticas, o tratamento de doenças mentais e traumas psicológicos. Diagnósticos feitos por médicos à distância já são um fato nos dias de hoje. Há diversas empresas especializadas nisso. Por meio de uma plataforma online, os médicos recebem exames e prontuários dos pacientes e fazem o diagnóstico baseado nesses dados.

Porém, um ambiente de realidade virtual pode fazer com que um médico da Nova Zelândia atenda “pessoalmente” um paciente na Califórnia, podendo interagir com ele e observar suas reações aos estímulos dentro de um aplicativo de telepresença médica.

medicina-robotica

Parece ficção científica, mas as cirurgias robóticas já são realizadas por médicos há algum tempo. Eles usam uma estação para operar os braços do robô, onde precisam colocar o rosto numa espécie de painel para ver uma imagem em 3D do paciente. Com o uso da realidade virtual, um óculos pode dar ao médico uma sensação mais real ao realizar os procedimentos. Se adicionarmos realidade aumentada nessa equação, o cirurgião poderá ver de modo ágil e em tempo real os dados vitais do paciente.

Exemplos de realidade virtual - tratamento de Phantom Pain

Tratamento para “dor fantasma” em pacientes amputados.

Além disso, a realidade virtual é muito eficaz no tratamento de alguns problemas cerebrais e traumas psicológicos. Há projetos que usam essa tecnologia para estimular o contato social em pessoas com autismo. Outros projetos oferecem um ambiente seguro para pacientes enfrentarem os mais diversos tipos de fobia. De modo similar, o tratamento de “dor fantasma” em pacientes que sofreram amputação também pode ser potencializado com a realidade virtual. Quem tiver mais interesse nesse assunto, leia este artigo repleto de links da área.

Novas narrativas para o cinema.

A realidade virtual na sétima arte oferece um modelo de narrativa totalmente diferente do usual. Os bons filmes possuem um olhar apurado do diretor sobre a montagem, o enquadramento e a fotografia de seus takes. O ambiente sonoro e um bom roteiro também dão suporte para que o filme tenha um impacto positivo nos espectadores.

Pois bem. Os filmes em 360 não possuem mais esse “olhar do diretor”. O primeiro modelo de narrativa que percebemos com os vídeos em 360 é que eles não vão se basear no olhar do diretor, mas sim na imersão que o filme provoca no espectador. Não se trata mais do olhar, mas sim de sentir, de experimentar.

Uma das principais tarefas dos roteiristas, diretores e músicos de cinema, é fazer com que a audiência acredite no universo do filme. O público precisa acreditar que viagens entre galáxias é algo comum para Star Wars fazer sentido. Isso é feito por meio da verossimilhança. A narrativa, os personagens e todo o universo da história é construído de modo coerente com suas próprias leis, fazendo com que a audiência acredite naquilo, se esquecendo momentaneamente do mundo real para entrar no universo do filme.

A realidade virtual ajuda bastante ao colocar a visão do espectador nessa equação. Os melhores diretores de filmes em 360 não serão os que possuem o olhar mais genial. Em vez disso, serão aqueles que conseguem oferecer uma experiência de imersão, manipulando e direcionando a atenção do espectador para contar a história. Os filmes em 360 não terão espectadores, mas sim testemunhas.

Tente ver um vídeo de terror em 360 e você vai entender melhor essa questão.

O mesmo se aplica aos documentários. Fazer o registro de situações em vídeos de 360 graus oferece a possibilidade do público ver com seus próprios olhos. O documentário abaixo sobre a tragédia de Mariana foi feito inteiramente em 360 graus, pela produtora Academia de Filmes.

Realidade Virtual nos games

Aqui nem precisamos ir muito longe. Dezenas de vídeos sobre isso já devem ter aparecido nas suas timelines de redes sociais. Os jogos em VR vão oferecer novas interfaces com o universo do jogo. Movimentos da cabeça, da retina, do corpo, das mãos e o ambiente ao seu redor serão utilizados como ferramentas para interagir com os jogos. Tudo isso no conforto da sua casa, mas talvez não mais sentado no sofá.

Se quisermos algo ainda mais imersivo, você poderá visitar parques de diversão onde os ambientes reais são construídos junto com os virtuais e ainda oferecem a sensação de toque e temperatura com ambientes em 4D. Veja por si mesmo como isso é hiper-ultra-mega-super-demais.

A última barreira de interface tecnológica?

evolucao-do-homem-tecnologia

A realidade virtual, com seus inúmeros sensores, vai ser capaz de perceber e traduzir o mundo real das mais diversas formas como nenhum outro dispositivo tecnológico conseguiu fazer antes. No gráfico da evolução humana, talvez os óculos de VR representem o homem ereto, que não precisa mais interagir com uma tela sentado numa mesa ou com a cabeça abaixada para ver um tablet ou smartphone.

Segundo Neil deGrasse Tyson, no remake da série Cosmos, a humanidade passou a desenvolver sua inteligência quando se tornou bípede. Ao ficar de pé, nossos ancestrais começaram a olhar mais para cima e inúmeras novas preocupações surgiram. Essas perguntas todas nos trouxeram até os dias de hoje. Como será que as interfaces e a tecnologia irão evoluir quando a realidade virtual for assunto corriqueiro em nossas rotinas, ao ponto de nem lembrarmos mais dela?

Joga sua opinião nos comentários!

Roteirista e Produtor Executivo de TV, atua há 10 anos no mercado audiovisual com passagens por produtoras independentes, emissoras de TV aberta e fechada. Montou a Origina em 2015 para se tornar produtor independente, com foco em agenciamento de roteiristas, criação de conteúdo e planejamento. É diretor de Comunicação da ABRA - Associação Brasileira de Autores Roteiristas e sócio-fundador da GEDAR -Gestão de Direitos de Autores Roteiristas. Meu perfil profissional está disponível no Linkedin

0 Comentários

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

dezoito + sete =