Telas Fórum 2017 – Animação Brasileira

Telas Fórum 2017 – Animação Brasileira

O painel de animação no Telas Fórum 2017 foi apresentado pela produtora Beth Carmona. A atual diretora geral da comKids, abriu o painel falando da importância de animações brasileiras e seu recente crescimento no mercado. Ela destacou o trabalho de produtoras como TV Pinguim, Copa Estúdio, 44 Tons, Glaz Entretenimento, Split, Birdo, Mono Studio, Super Toons e Panorâmica.

No painel estavam presentes Kiko Mistrorigo, fundador da TV Pinguim, Felipe Tavares, do Copa Studio e Marcio Sguilaro do canal de tv paga Cartoon Network. Inicialmente, cada convidado pode falar um pouco sobre seus projetos atuais e em seguida Beth conduziu o painel levantando perguntas para que os convidados debatessem.

Kiko Mistrorigo – TV Pinguim

Kiko se apresentou rapidamente e explicou que estão produzindo a 4ª temporada da série Show da Luna. O projeto é uma co-produção Brasil-Canadá, por meio de um edital da SP Cine e do Canadá Media Fund. O Kiko já havia falado sobre esse projeto no RCM de 2017. Você pode conferir o resumo aqui.

A TV Pinguim também lançou no dia 25 de Janeiro o segundo longa metragem do Peixonauta. Mais dois projetos estão programados para serem lançados no segundo semestre de 2018.

Atualmente, a TV Pinguim possui uma equipe total de 60 pessoas. Kiko comentou que um dos grandes desafios da empresa foi conseguir reter os talentos quando os projetos acabavam. A redução desse “efeito-sanfona” foi possível apenas nos últimos 5 anos, por conta do alto custo de se manter profissionais fixos na empresa.

Felipe Tavares – Copa Studio

Felipe também falou sobre a dificuldade de manter o nível de produção estável. Atualmente estão produzindo a 3ª temporada da série Irmão do Jorel, em co-produção com o Cartoon Network, com 26 episódios de 11 minutos. Também está em andamento a produção de uma série escolar chamada “Mini Mini”, com 78 episódios de 11 minutos. O lançamento está previsto para Maio de 2018.

O Copa Studio faz parte do grupo econômico da Glaz Entretenimento que produziu o longa Historietas Assombradas. Há também outras duas séries em desenvolvimento. Além dos projetos próprios, a produtora também executa projetos dos outros por meio de production service. Como exemplo, Felipe explicou que eles produziram 20% do filme “My Little Pônei”.

A base da produtora no Rio de Janeiro conta com uma equipe de 65 pessoas, enquanto que a Glaz em São Paulo possui cerca de 10 pessoas na equipe de animação. Também estão organizando uma estrutura de estúdio virtual, para darem a alternativa aos colaboradores de trabalharem no modelo de Home Office. O grande desafio é que a gestão do projeto se torna mais complicada nesse sistema.

Marcio Sguilaro – Cartoon Network

Marcio comentou sobre o bom momento que vive o mercado audiovisual brasileiro, em especial o de animação. Há várias produções acontecendo e sendo exibidas pelos canais. Segundo ele, 2018 promete ser um ano promissor. O Cartoon está com um projeto em andamento com a Maurício de Sousa Producões, de 26 episódios de 11 minutos.

A produção de conteúdo original faz parte da estratégia da Turner para o Brasil, Argentina e México. O canal investe no conteúdo local de olho no mercado internacional. Como exemplo, ele citou a série Irmão do Jorel e Turma da Mônica, ambas sendo exibidas também na América Latina. Marcio acredita que o mercado nacional tem evoluído a passos largos e que está focado nas produções nacionais com visão internacional. Tem evoluído a passos largos o mercado nacional. Focado em produções nacionais com visão internacional.

Debate sobre a animação brasileira

A primeira pergunta de Beth foi sobre como a animação brasileira se diferencia das produções estrangeiras, quais formatos de conteúdo estão praticando e como veem o ambiente digital?

Kiko respondeu que os tradicionais 26 episódios de 7′ ou 11′ para televisão não são mais tão importantes, especialmente quando se trata de um projeto novo. Agora é o momento de testar como a propriedade intelectual como um todo vai ser consumida pelo público. Cada vez mais escolhem outros métodos de começar uma propriedade intelectual.

Nos últimos dois anos, estão focados em várias telas. O linear deixou de ser o foco principal, abrindo espaço para outras durações e formatos. Como por exemplo 5 ep. de 11′, 10 ep. de 3′ e pílulas de 1′, tudo no mesmo projeto. Depende da história aguentar esses novos formatos. As diversas telas de exibição abrem espaço para experimentação de novos formatos. Tem propriedades que estão vindo de games, com produtoras de games se unindo com empresas de animação.

Felipe comentou que o formato de 11′ era pra completar a grade linear de programação. O desafio para os produtores é levar essas possibilidades de formatos diferentes, sem perder a história. Marcio pontuou que quanto mais completa a proposta, pensando em várias telas e com conteúdo pensado especificamente para internet, mais interessante ela se torna para o Cartoon.

Seguindo sua fala, Felipe explicou que os fãs fazem conteúdos em cima da propriedade intelectual em formatos menores e em outras plataformas. Portanto eles estão direcionando parte da produção para atender também essa demanda. Ao mesmo tempo, há fomento para a produção de games. Na Copa Studio eles estão aprendendo a fazer essa migração para o mercado de games e percebem que o contrário acontece: produtoras de games entrando na animação. Portanto, quanto mais estratégias para sua Propriedade Intelectual, melhor.

Local versus Global

Marcio disse que os temas locais se relacionam mais com os fãs daqui do Brasil. E alguns deles são ao mesmo tempo, universais. Não tem algo que diga ‘nossa, esses desenho é brasileiro’. A gente quer que seja reconhecido em qualquer lugar por qualquer público. O ritmo do desenho tem que ser rápido. A TV Pinguim preza por comédia, mas não tem algo específico que identifique a animação brasileira.

Eu gosto de ver as pessoas comentando o que estou fazendo. Prefiro focar no público nacional e que é bom pra gente e também vai ser legal pro restante da América Latina

Disse Felipe. Para ele, o espaço no mercado internacional vai sendo galgado aos poucos. Ele lembrou que os produtores americanos fazem conteúdo pra o mercado interno deles e a gente compra. “Então estamos fazendo esse mesmo caminho, em vez de apenas agradar o público gringo.”

Kiko ainda completou esse debate dizendo que a co-produção da TV Pinguim com a produtora do Canadá enfrenta uma barreira cultural muito grande com relação às músicas. As diferenças são muitas e embates culturais acontecem durante o desenvolvimento do projeto.

Como é o desafio de formação das equipes para várias janelas de exibição?

Kiko respondeu essa pergunta de Beth explicando que a formação de roteiristas faz parte do dia a dia da produtora. A animação brasileira é considera recente e o roteirista de animação também é.

A dificuldade do roteirista é em fazer a piada visualmente. Conteúdo pré-escolar é assim!

Os roteiristas jovens e criativos são os que se saem melhor. O público mais novo é totalmente VoD. O mundo está mudando e é preciso acompanhá-lo.

Como o canal financia ou se aproxima disso?

Para responder essa pergunta, Marcio do Cartoon Network fez piada: “fazemos qualquer negócio”.  Ele completou dizendo que o canal trabalha com projetos financiados pelo FSA, pelo Art 39 e pelo Art 3º A da Lei do Audiovisual. Além disso, tem projetos que bancamos completamente. Isso é avaliado caso a caso.

Tudo vai depender de quanto recurso existe disponível. Marcio disse que o Cartoon está com o Art. 39 comprometido para os próximos dois anos. Seguindo o clima piadista, Felipe disse que a experiência com financiamento é dolorosa. O Copa Studio sofreu bastante no início. Atualmente ganhar um edital para o Copa Studio é relativamente fácil. Para receber o investimento direto de um canal é preciso que eles tenham a confiança de que o projeto pode dar certo, “mas é um risco alto”.

Por isso, Felipe mencionou que o production service é importante para dar um frescor nos projetos do estúdio, além de uma estabilidade financeira. Ajuda a girar o fluxo de caixa da empresa e a formar novos animadores também. “Precisamos provar para as pessoas lá de fora que fazemos animação de qualidade. É um desafio legal”.

Agente Audiovisual. Atuei como roteirista e produtor executivo de TV por cerca de 10 anos. Em 2017 abri a Origina Conteúdo, com foco no agenciamento de profissionais criativos para o mercado audiovisual. A Agência Origina representa Diretores, Roteiristas e Produtores Executivos de Cinema, Televisão e Internet. Se quiser saber mais, veja meu perfil profissional no Linkedin.

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